Empreendedorismo social

Empreendedorismo social

Programação do LES

O Empreendedorismo Social tem sido tema recorrente em algumas manhãs das turmas do Ensino Médio. Como parte da programação do LES – Laboratório de Empreendedorismo Social, alguns profissionais têm vindo apresentar seus projetos e promovendo um bate-papo sobre propostas e possibilidades nessa área.

O LES é um projeto que se inicia no 9º ano e segue até o Ensino Médio, quando, então, os alunos iniciam a elaboração de uma proposta de intervenção. “A  experiência no desenvolvimento de um Empreendimento Social pode ajudar os nossos alunos na sua escolha profissional, quando, impulsionados por um problema social, encaram o desafio de elaborarem, em grupo, uma solução que proporcione um impacto social”, reforça Francilaide Ronsi, professora de Educação Religiosa.

Nesse trabalho, em parceria com professores de Geografia, Sociologia e Filosofia, são desenvolvidas diversas competências dos alunos, como: liderança, comunicação, trabalho colaborativo, inteligência social e emotiva, planejamento e organização, pensamento criativo, entre outras.

 

AS PALESTRAS

No último mês de maio, duas ex-alunas do Colégio Teresiano, Carolina Senna e Luciana Sucupira vieram para contar suas histórias e mostrar aonde chegaram, inspiradas ao longo de um percurso rico em desafios.

A turma estava muito quieta, afinal era cedo, e, então, a dupla iniciou o primeiro movimento: “Vamos mudar a disposição das cadeiras e fazer uma caminhada de reconhecimento”, convocou Carolina. Olhando uns para os outros, se conectando em duplas ou em trios, logo voltaram para seus lugares e passaram para o exercício do silêncio. Com base na metodologia Pinacarri, de um grupo aborígena, da Austrália, Luciana os orientou para que pudessem aproveitar para perceber o seu silêncio interno e, assim, observar, aos poucos, o silêncio externo.

“Como o Empreendedorismo Social pode te motivar?” – provocaram.

À frente do Instituto Revoar, que trabalha com jovens do Ensino Médio em Escolas Públicas e com jovens que cumprem medidas socioeducativas, Carolina traz consigo, até hoje, as vivências que teve no Teresiano, nas ações de voluntariado. “Foi o que me motivou”, afirma. Há um ano e meio no Projeto, Luciana reflete, emocionada: “A gente sempre acha que está transformando o outro. Mas, se você parar para pensar, você está transformando a si mesmo, num exercício constante de aprendizado”.

Os alunos que, já nos primeiros anos do Ensino Médio, começam a pensar sobre quais alternativas têm para o seu futuro profissional, observavam, atentamente essa opção: “O empreendedorismo social é um negócio, que pode ser executado num modelo híbrido, com recursos próprios e financiamento colaborativo. O grande desafio é ‘Como viver disso? ’”, segue Carolina.

“Precisamos trabalhar muito em equipe. E os pré-requisitos são sem dúvida: muita determinação, capacidade de gerenciar o tempo, muito amor e muita ousadia”, completou Luciana.

O estudo continuado faz parte do dia a dia, pois elas precisam estar sempre atualizadas, entender um pouco de tudo, mesmo que contratem equipes ou voluntários para executarem determinados serviços. Captação de recursos, controle das doações, retorno para os investidores, prospecção, são apenas algumas ações que não podem parar. Fora toda a estrutura administrativa que é necessária para gerenciar tudo isso.

Na sequência, os alunos passaram às perguntas. E não pegaram leve, não! Bem concisas e provocadoras, traziam questões importantes. Afinal de contas, esse é um momento em que muitas dúvidas aparecem. E as respostas, inspiram.

Vocês já falharam alguma vez? Como superaram o desafio?

R: Sim, certamente! Nós falhamos com a mobilização. Na passagem do ano, não consideramos que uma turma do Ensino Médio poderia ser diferente da outra. Levamos em conta os mesmos parâmetros e depois tivemos que ajustá-los. Nós aprendemos a olhar os obstáculos como aprendizado.

Temos como regra celebrar, valorizar o positivo. Para passarmos num edital de parceria, por exemplo, antes, fomos recusadas em vários outros. Mas nem por isso a agente celebrou menos o Edital que a gente passou!

Como conseguiram patrocínio no início? O capital foi do bolso de vocês?

R: Já ouviram falar de plataforma de financiamento coletivo? Existem várias opções e modelos do que se chama crowdfunding. Não tem que ter vergonha. É importante ser bem transparente na apresentação e no retorno aos investidores, afinal, temos uma causa real, ali.

Já desanimaram por alguma demanda?

R: [LUCIANA] Não. Estou bem animada até hoje. Quando uma desanima, a outra levanta a equipe.

R: [CAROLINA] Ah, já desanimei várias vezes… A questão é: qual o seu propósito maior? É muito maior do que a minha crise no relacionamento, certamente.

Qual foi a motivação de vocês?

R: Ter certeza do poder transformador que tem a juventude.

Como descobriram que era isso que vocês queriam fazer para o resto da vida?

R: [CAROLINA] O Colégio Teresiano contribuiu muito para isso. Aqui, tive a oportunidade de ir a alguns lugares através do trabalho de voluntariado. Foram oportunidades que me mostraram que aquilo fazia sentido para a minha vida. Agora, tem que ter uma disponibilidade interna muito fortalecida. Não é que a gente não tenha medo. Mas, tem que seguir em frente.

R: [LUCIANA] Eu percebi que estava no caminho certo quando me dei conta que a segunda-feira deixou de ser um problema para mim! Transformar socialmente sempre foi uma coisa que me motivou. As respostas muitas vezes são emocionais, outras vezes, intuitivas.

Por que o nome do projeto, Revoar?

R: [CAROLINA] Queria algo voltado para o voo, liberdade, autonomia, pássaros. Voo – chegada – pouso. A gente quer dar asas para as pessoas voarem.

Trabalham em outros projetos simultâneos?

R: Sim e não. Com base nas nossas metodologias, o Sesc nos convidou para dar consultoria numa ação voltada para idosos. São consultorias pontuais.

No Projeto Amanhecer, percebemos que a realidade é muito diferente da nossa. Como isso afeta a vida de vocês?

R: Não tem muita preparação. A gente se apoia muito. Buscamos cuidar da gente para cuidar do outro. Mas quando você olha mais de perto, pode ver que as realidades emocionais, pelo menos, não são muito diferentes assim.

Desafios, emoções, trabalho, decisões, vamos juntando as peças para construirmos um futuro consistente. Que venham mais inspirações como essa para alimentar nossas escolhas!

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