Projeto TETO

Projeto TETO

Vivência, empatia, voluntariado.

Neste ano de 2018 os alunos do Colégio Teresiano realizaram a sua quarta ação voluntária junto à ONG TETO, que promove a construção de casas para famílias em comunidades precárias e que, muitas vezes, vivem em situação de extremo risco.

“É uma experiência transformadora, que mobiliza os alunos antes, durante e por toda a sua vida!”, nos conta emocionada a professora Francilaide Ronsi – a Francis, que coordena toda a atividade.

A ONG TETO nasceu no Chile, em 1997. Foi criada por um grupo de jovens que, incomodados pela situação de pobreza e injustiça em que viviam milhares de pessoas em seu país, iniciaram um trabalho voluntário que se expande cada vez mais pelo mundo. O TETO chegou ao Brasil em 2007 e a partir daí, todo ano, diversos jovens brasileiros se engajam para promover uma vida um pouco melhor para pessoas em situação de pobreza e desigualdade social. No ano passado, o Colégio Teresiano organizou o primeiro grupo para participar da ação voluntária.

A atividade, aqui no Colégio, é promovida pelo Centro Teresiano de Voluntariado, que faz um convite aberto a todos os alunos da 1ª e 2ª séries do Ensino Médio e, depois de algumas entrevistas, seleciona ou sorteia os voluntários.

“Os momentos formativos começam bem antes do dia da construção da casa. Há toda uma mobilização por parte dos próprios alunos, que começam a captar o investimento para a construção da casa e incentivam os outros a fazerem parte do time.” Comenta o professor Henrique Campos Moreira Rosa, de História.

O tema deste ano foi a Empatia. Parece óbvio para o objetivo da atividade, mas só quando eles estão lá é que percebem de verdade o sentido dessa palavra.

É como relata a aluna Helena Alpino: “O TETO é uma experiência inesquecível e transformadora. É algo muito maior do que apenas construir uma casa para alguém. Causa um efeito em todo o seu cotidiano.”

A interdisciplinaridade é vivenciada de uma forma orgânica: “São várias experiências ligadas ao próprio currículo acadêmico: a geografia, a sociologia, a física. Alguns temas mais técnicos, específicos, perpassam pela atividade como “vasos comunicantes” e a utilização da ferramenta “prumo”, para a casa ficar reta, por exemplo” – comenta Henrique.

O regime de organização é rígido, pois tudo tem que acontecer em dois dias. O caráter motivacional e a ideia do voluntariado são sempre mencionados, é um exercício importante para se trabalhar as questões sociais a as desigualdades. Apesar de a casa ser pré-moldada, a construção dá bastante trabalho, e é preciso respeitar o tempo da luz natural. A família que recebe a casa fica junta o tempo todo, participando e ajudando, “isso também é bem bacana”, finaliza o professor.

Uma semana depois os alunos voltam para pintar a casa e, aí, a satisfação aumenta ainda mais ao ver o resultado de toda a vivência que tiveram.

Já estamos ansiosos para o retorno deles no próximo ano, que é quando recebem os novos alunos e contam a experiência de que fizeram parte. São relatos sempre muito emocionantes, que mobilizam toda a plateia!

Depoimentos

Laryssa de Souza

O que me motivou a participar do TETO foram relatos familiares, já que tenho entes queridos que passaram por momentos inimagináveis envolvendo o lixão de Jardim Gramacho. Entretanto, com o passar dos anos, eles conseguiram construir uma vida completamente diferente da que levavam antes, mas sem esquecer as marcas tortuosas de um passado lastimável. Com isso, desde que eu era pequena, aprendi que não deveria nunca reclamar do que tinha, ainda que fosse pouco, e, muito menos menosprezar ou discriminar o outro, independentemente de sua raça, classe, credo e cor. Com as lições de vida dos meus familiares, reparei cedo as divergências presentes no mundo e compreendi que, acima de tudo, deveria aceitá-las e respeitá-las. Infelizmente existem milhares de pessoas em situações extremas, indignas de serem apresentadas aqui. Pessoas que, por serem marginalizadas, muitas vezes não têm a chance de alcançarem seus sonhos e que, por isso, acabam desacreditando de seus potenciais por se verem como meros perdedores. Então, vi no projeto TETO uma forma de apoio, onde podemos incentivar famílias a não desistirem do que querem. Participar da construção da casa e de todo o projeto, desde o início, foi uma experiência incrível! Simplesmente única e marcante na minha vida. Fiquei muito feliz por ter sido bem acolhida pelos voluntários. Foi emocionante e demais.

Mateus Veras

Quando eu ainda estava no nono ano tive uma pequena ideia do que era poder participar do TETO quando observava as pessoas que estavam no Ensino Médio podendo fazer parte disso. Minha vontade foi só aumentando com o tempo. Isso se intensificou a partir da vivência na ECO-TETO, onde ouvi alguns relatos de moradores, como eles viviam, o que passavam e suas dificuldades. Isso só me deixou ainda mais motivado a participar da construção. Um dos momentos que mais mexeu comigo foi quando Antônio, o morador, recebeu a casa e se emocionou de tanta felicidade. A frase que ele disse me marcou muito, enquanto conversávamos. Ele falou que, “agora sim, estava dando início a uma vida melhor” para ele e para sua família.