Instituição Teresiana
A Instituição Teresiana
Uma obra da Igreja cujos membros se comprometem na promoção humana através da educação e da cultura, colaborando, assim, na construção do Reino de Deus na história.
Realiza sua ação humanizadora através do trabalho e da profissão de seus membros, em diferentes campos de atividades, em entidades públicas e privadas.
Favorece o diálogo entre a fé e as diferentes culturas, consciente de que a fé e os valores evangélicos se expressam através das mediações culturais.
Colabora na construção de uma sociedade mais justa e solidária e se compromete numa opção preferencial pelos pobres.
Foi fundada, na Espanha, pelo sacerdote Pedro Poveda (1874-1936) e iniciou suas atividades em 1911.
Hoje está presente em 30 países nos 5 continentes. Na América Latina desenvolve atividades no Brasil, Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Guatemala, México, Peru, República Dominicana, Uruguai e Venezuela.
Saiba mais sobre:
Está constituída por diversas Associações cujos membros realizam sua missão a partir de diferentes compromissos.
Tem como padroeira Santa Teresa de Ávila, buscando em sua vida plenamente humana e toda de Deus a inspiração que deve caracterizar a vida de seus membros.
Pedro Poveda - As origens
A Instituição Teresiana foi fundada em 1911 por Pedro Poveda, um sacerdote de Linares (Espanha), que viveu seu compromisso de fé com valentia e se sentiu chamado a promover uma proposta transformadora na sociedade.
Poveda era um homem de Deus, especialmente sensível à condição humana e que lutou por ela a partir da vivência radical da fé. Por isso envolveu-se nas grandes questões de seu tempo: a educação, a problemática social, a cultura, a ciência. Sua existência orientou-se, desde muito cedo, por um compromisso a favor da formação humana, principalmente dos mais pobres. Sua ação transformadora entre os ciganos e habitantes das grutas de Guadix, onde foi sacerdote, dão testemunho disso. Para eles abrem, no meio das grutas, escolas, refeitórios, oficinas. Pedro Poveda entregou-se àquela realidade com os olhos postos em Jesus Cristo e com a urgência de humanizar e evangelizar.
Poveda seria mais tarde cônego em Covadonga (Asturias, Espanha). Nesses anos intensos estuda, reflete, escreve. Como bom pedagogo, pensa que a aproximação às diferentes realidades pelo conhecimento pela formação . Como homem de Deus, sabe que a fé não é incompatível com a ciência. No coração e na mente de Pedro Poveda está gravada uma espiritualidade de encarnação.
Aos pés de Virgem Maria de Covadonga, uma intuição profética o fez pensar em uma Associação para leigos com uma sólida formação profissional e cultural, dispostos a encarnar a fé no seu momento histórico, a partir da educação e de cada cultura.
A idéia de Poveda se faz realidade em 1911, numa Associação de Fiéis: a Instituição Teresiana.
Nascido a 3 de dezembro de 1874, a vida de Pedro Poveda sempre teve como referência central seu sacerdócio. A idéia de São Paulo - "até que Cristo se forme em vocês" - o fez viver progressivamente o ser "outro Cristo", que culmina com sua morte como testemunha da fé, na madrugada de 28 de julho de 1936.
Pedro Poveda: um santo para os nossos dias No dia 4 de maio, em Madri (Espanha), o Papa João Paulo II canonizou Pedro Poveda (1874 - 1936), sacerdote, mártir e fundador da Instituição Teresiana. Com este gesto a Igreja oferece a todos os homens e mulheres de fé, assim como a todas as pessoas inquietas que, neste momento tão desafiante de nossa história, buscam caminhos de transcendência e espiritualidade, a sua proposta de realização pessoal e colaboração na construção do Reino de Deus no nosso cotidiano.
Josefa Segovia - Figura Chave no Projeto de Poveda
No início e desenvolvimento da Instituição Teresiana, sobressai a presença de uma mulher, Josefa Segovia, figura chave na realização do projeto de Poveda. Destacada mulher de Igreja e comprometida com a cultura e a educação de seu tempo, Josefa Segovia identifica-se plenamente com a proposta de Pedro Poveda.
Nascida em Jaén (Espanha) em 1891, pertence à terceira turma da Escola Superior do Magistério, recém aberta em Madri, e chega a ser a primeira inspetora de ensino primário desta província espanhola.
Os ideais de Poveda a contagiam a ponto de mudar sua vida, potenciada agora por este novo caminho, tão de acordo com seu espírito renovador e transcendente.
Envolve-se no desenvolvimento da Instituição Teresiana e chega a ser a sua primeira Diretora em 1919, cargo que compagina com a função de inspetora de ensino. Com a morte de Pedro Poveda, assume a responsabilidade de continuar a I.T. sem seu fundador.
Uma entrega sem limites a leva a impulsionar a Instituição em todas as suas frentes: multiplica as Academias para estudantes, estimula a presença feminina na universidade, trabalha intensamente na tarefa formativa da mulher, da juventude, estimula centros de estudo e publicações, promove a presença no mundo rural e nas zonas periféricas das cidades e torna-se, assim, presente no debate cultural e social de seu tempo. Escreve incansavelmente, forma, legisla. Empreende longas viagens pela Europa, América Latina e Oriente Médio. Ultrapassa fronteiras ao encontro de outras culturas. Apoia o arraigo da Instituição Teresiana em diversos ambientes e realidades.
No dia 29 de março de 1957 morre em Madri, após sofrer uma intervenção cirúrgica. Pela última vez vai resumir a entrega de sua vida na palavra SIM. A imprensa de seu tempo a qualificou após sua morte, como "uma das mulheres de destaque do século XX".
Victoria Diez - História de uma educadora
Na primavera de 1903, um novo rosto de Deus alegrava o mundo: uma menina que recebeu o nome de Victoria Diez. A humanidade não imaginava como seria este rosto de Deus. Anos mais tarde, usando sua própria voz, este rosto se revelava e dizia: "... quero a salvação das pessoas, desejaria conquistar para Vós o mundo inteiro...". Hoje, cem anos depois, somos chamados a olhar para esta mulher que descobriu em sua vida e em sua missão que "... Deus é tão bom que nos dá na medida de nossos desejos..."
Um pouco da história de Victoria:
Victoria Diez nasceu em 11 de novembro de 1903, em Sevilha, sul da Espanha. Em 1917 obteve seu diploma na Escola de Artes e Ofícios de Sevilha, após seis anos de estudo. Desde cedo manifestava qualidades artísticas. Em 1923, concluiu o magistério na Escola Normal de Sevilha:
"Victoria foi professora de corpo e alma. Educadora de adultos e crianças. Dentro e fora da escola". 1
Em 1925, conheceu a Instituição Teresiana ao participar de uma palest ra sobre o sentido educativo em Santa Teresa, realizada no centro onde se preparava para fazer um concurso para trabalhar em escola pública. A proposta de Pedro Poveda, fundador da Instituição Teresiana, baseada na força transformadora do cristão através da profissão, se encaixava em todas as suas aspirações e ela sintonizou profundamente com este projeto. No ano seguinte, incorporou-se à Instituição Teresiana e, neste mesmo período, fez concurso para o magistério público, assumindo o cargo de professroa em Cheles, um povoado da província de Badajoz. Era, então, 1927. Logo depois foi transferida Hornachuelos, povoado da província de Córdoba (1928) e aí permaneceu até a sua morte. Além do trabalho profissional na escola, impulsionou a Ação Católica, planejou cursos noturnos para mulheres trabalhadoras, trabalhou com as famílias das alunas, organizou a catequese, participou do Conselho local presidindo-o durante alguns anos.
"Todas as professoras e professores do povoado reconheciam que sua escola era modelo. Sua pontualidade era proverbial, preparava conscienciosamente suas aulas... conhecia individualmente a personalidade e as circunstâncias de vida de cada uma de suas alunas. Em uma palavra: vivia como ninguém a responsabilidade do magistério. Era professora dentro e fora da escola. Era mestra de pequenos e grandes." 2
Em 20 de julho de 1936, durante a guerra civil espanhola, Victoria foi presa juntamente com outras pessoas, inclusive o pároco. Em 11 de agosto foi chamada a prestar declarações ante o Comitê. Dia 12 de agosto, de madrugada, junto com outros 17 prisioneiros, percorreu a pé um caminho de 12 km e foi até uma mina situada nos arredores de Hornachuelos. No trajeto, animou os companheiros a se mantererem firmes na fé. Pronunciava durante a caminhada final: "Ânimo, companheiros, que a vida pode mais!"
Victoria foi a última a ser fuzilada. Tinha 32 anos.
Em 10 de outubro de 1993, Victoria Diez, junto com Pedro Poveda, foi beatificada pelo Papa João Paulo II e reconhecida por toda a Igreja como mártir da fé. Seu testemunho de vida nos anima a sermos professores de corpo e alma, educadores dentro e fora da sala de aula.
1 - Jesus Fernández Montserrat, professor em Hornachuelos, colega e amigo de Victoria
2 - Carmen Fernánddez Aguinaco, Victoria Diez, uma vida em missão, P57