Colégio Teresiano - CAP/PUC

Proposta Educativa

 

Uma Tomada de Posição

O Colégio Teresiano foi criado em 1956, com o objetivo de colaborar, como Colégio de Aplicação da PUC/RJ, na formação de professores de 1o e 2o Graus. Sua direção está a cargo da Instituição Teresiana, fundada em 1911 por PEDRO POVEDA (1874-1936), sacerdote e educador católico espanhol, que procurou articular os esforços de educadores preocupados em promover os valores da pessoa humana segundo o Evangelho.

O Colégio Teresiano, apoiando-se no pensamento pedagógico e no impulso evangelizador de Pedro Poveda, assume com a fé e a cultura um compromisso que pede expressões sempre atualizadas face às exigências de cada momento histórico. Depois do Concílio Vaticano II, a Igreja latino-americana vem aprofundando sua reflexão sobre a realidade do nosso continente. Os documentos de Medellín (1968) e Puebla (1979) levantam para os cristãos questionamentos e desafios tanto mais urgentes quanto mais graves são as situações que denunciam.

O Colégio Teresiano, como colégio católico, está chamado a dar também sua contribuição no esforço comum para a construção da justiça. Impõe-se, assim, rever nossa prática educativa, orientando-a segundo as exigências do homem, do mundo e da Igreja de hoje. Este documento quer ser um passo a mais nesta caminhada, unindo toda a comunidade educativa nesta tarefa que devemos empreender com entusiasmo e esperança.

O Colégio Teresiano tem como fim principal: Humanizar e personalizar o homem, favorecendo o desenvolvimento de uma fé capaz de levar a uma opção pessoal por Cristo e a um compromisso na construção de uma sociedade mais justa e fraterna, segundo o estilo de Pedro Poveda.

 

Sua tarefa educativa se fundamenta nos seguintes princípios:

  • Uma visão do homem criado à imagem de Deus, agente de seu crescimento pessoal e solidário com os outros homens na construção da história.
  • Uma opção de fé pessoal e comunitária que anuncia as exigências do Evangelho e denuncia o que se contrapõe a elas.
  • Uma análise crítica da realidade social em que vivemos e o compromisso na construção de uma sociedade mais justa e fraterna.

Uma visão do homem criado à imagem de Deus, agente de seu próprio crescimento e solidário com os outros homens na construção da história.

O homem, criado à imagem de Deus, é dotado de uma dignidade que lhe é própria. "Foi em Cristo e por Cristo que o homem adquiriu plena consciência da sua dignidade, da sua elevação, do valor transcendente da própria humanidade e do sentido de sua existência." (Redemptor Hominis - p. 30) O mistério de Jesus de Nazaré, filho de Deus, torna-se, assim a força capaz de transformar nossa realidade pessoal e social e de encaminhá-la para a liberdade e a fraternidade.

O pensamento pedagógico de Pedro Poveda tem como eixo este mistério de Deus feito Homem na pessoa de Jesus Cristo. Daí uma enorme valorização de tudo que é humano, ao lado da convicção de que não se pode prescindir de Deus quando se procura o aperfeiçoamento do homem.

Na América Latina de hoje, no entanto, vivemos uma situação de injustiça em que a dignidade humana está cada vez mais ameaçada. A realidade do continente, descrita no documento de Puebla, mostra um sistema socio-político-econômico que, por ser anti-humano, concentracionista e excludente, traz, como conseqüência, a violação dos direitos humanos mais fundamentais, como o direito à vida, à saúde, à educação, à moradia, ao trabalho. O processo de concentração de renda levou a uma situação de gritantes contrastes: os poucos ricos são cada vez mais ricos, enquanto uma multidão se debate em situações da mais extrema pobreza.

O Brasil vive esta mesma realidade, e os milhões de brasileiros que se encontram em situações infra-humanas de vida têm rostos concretos e neles se pode reconhecer o próprio rosto do Cristo: crianças abandonadas, jovens sem oportunidade de capacitação e ocupação, operários explorados, indígenas segregados, camponeses sem terra, anciãos postos à margem pela sociedade do progresso. Enfim, uma multidão de marginalizados sem voz e sem vez (Puebla 32-39).

Consciente desta realidade, o Colégio Teresiano sente a urgência de reafirmar seu compromisso com o homem e encaminhar seu trabalho em defesa de seus direitos e em favor do reconhecimento efetivo da sua dignidade.

 

Isto exige uma prática educativa diária:

  • que se oriente para a formação de jovens capazes de assumir pessoalmente estes valores em sua vida presente e futura.
  • que reflita, ela mesma, um esforço de coerência com estas convicções.

Tal prática educativa deverá se caracterizar:

  • pela valorização de cada pessoa pelo que é, e não pelo que tem ou produz.
  • pelo exercício da liberdade, progressivamente conquistada e fortalecida.
  • pela participação responsável de cada membro da comunidade educativa, contribuindo com seus dons pessoais e acolhendo os dos outros.
  • pelo cultivo de relações interpessoais autênticas, com amplo espaço para o diálogo.
  • por permitir a cada pessoa ser agente de seu próprio crescimento, construir-se desde dentro e libertar-se dos condicionamentos e opressões que a impedem de viver plenamente como pessoa.
  • por uma solidariedade efetiva pra com os outros homens, vivida no serviço especialmente ao homem mais necessitado.
  • pela consciência de que os bens de cada um não devem se constituir em privilégios geradores de novas injustiças, mas devem ser partilhados e postos a serviço do bem comum.

Uma opção de fé pessoal e comunitária que anuncia as exigências do Evangelho e denuncia o que se contrapõe a elas.

"A apresentação da mensagem evangélica não é, para a Igreja, uma contribuição facultativa; é um dever que lhe incumbe por mandato do Cristo." (Evangelii Nuntiandi)

"A Igreja, ao defender esta incumbência da escola, não pensa em privilégios, mas sim na educação da consciência religiosa como um direito da pessoa humana." (João Paulo II - Discurso em Porto Alegre - 1980)

A escola católica, consciente das profundas mudanças culturais e sociais do mundo de hoje, sente o desafio de encontrar os caminhos mais adequados para poder de fato anunciar as exigências do Evangelho e denunciar o que se contrapõe a elas.

Pedro Poveda entendia que a realização do homem só se dá quando ele pode desenvolver-se em todas as suas dimensões, numa contínua e progressiva abertura para o transcendente. É em Jesus Cristo, filho de Deus feito Homem, que ele vê a resposta definitiva para a vida do homem, a possibilidade de cada um encontrar os caminhos de sua plena realização.

O Colégio Teresiano, querendo ser uma comunidade evangelizadora, se sente chamado a:

  • deixar-se interpelar pelo Evangelho, num processo de contínua conversão, que se traduza na ação e no compromisso.
  • fazer um anúncio claro de Cristo Libertador.
  • promover um clima de fé viva e comprometida, que informe a dinâmica da comunidade educativa.
  • contribuir ativa e eficazmente para a criação e renovação da cultura, transformada pela força do Evangelho.

Uma análise crítica da realidade social em que vivemos e o compromisso na construção de uma sociedade mais justa e fraterna.

Nosso mundo, nesta segunda metade do século XX, se apresenta complexo, cheio de riquezas e conflitos. Seus fortes contrastes se transformam em desafios para o homem moderno, que busca respostas e caminhos que levem à construção de uma sociedade mais humana.

Na América Latina, a realidade social é particularmente desafiante. Estruturas injustas geram desequilíbrios sociais e ferem os direitos humanos mais fundamentais. O homem, chamado a ser agente e primeiro beneficiado do desenvolvimento social, se vê freqüentemente ameaçado, desfigurado, esquecido, escravizado e massificado. Minorias detêm as riquezas e o poder, enquanto a grande maioria é excluída de uma participação responsável nos processos de decisão, dos quais virá, depois, a suportar as falhas e as injustiças.

Diante desta realidade social, que é vivida também pelos brasileiros, o Colégio Teresiano, consciente das características sócio-culturais dos membros de sua comunidade educativa, deseja contribuir, no campo da educação que lhe é próprio, para a construção de uma sociedade mais justa e fraterna e, portanto, mais de acordo com as exigências que brotam do Evangelho.

Para isso, propõe-se a:

  • levar, através da formação da consciência crítica, à conscientização das estruturas de injustiça e dominação que caracterizam nossa realidade latino-americana e brasileira.
  • mostrar a urgência de uma ação transformadora inspirada nos valores evangélicos, capaz de lutar para alcançar a promoção do homem e lhe proporcionar os bens necessários ao desenvolvimento do seu ser individual e social.
  • interagir vitalmente com a comunidade mais próxima e na qual se localiza (bairro, populações marginalizadas circundantes, cidade, etc.), procurando aí o ponto de convergência para a reflexão e a ação, a análise crítica e o compromisso.
  • promover uma educação na vida e para a vida, única capaz de propiciar a formação de pessoas que, conscientes da realidade em que vivem e interpeladas pelos valores do Evangelho, se transformem em portadoras e servidoras destes valores, num exigente testemunho de fé diante do mundo.

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